Aproveitando os acontecimentos (tensos) que envolvem Rússia e Ucrânia em disputa pela região da Crimeia, inevitavelmente evocando os tempos da Guerra Fria (Crise dos Mísseis), lembro-me de dois filmes que nos remetem ao período histórico do “Breve Século XX” (ver Eric Hobsbawm-A Era dos Extremos) em que o mundo viveu sob uma ordem bipolar entre EUA X URSS.
Quando criança, nutria determinado grau (desnecessário talvez) de pavor com a possibilidade de que pudesse ocorrer (em meados dos anos 1980) uma guerra nuclear, pavor este, alimentado por imagens de ataques atômicos que víamos no domingo a noite no Fantástico, e para “ajudar”, me recordo de ter assistido com meu Pai ao filme “The Day After” - “O Dia Seguinte”-, película Estadunidense rodado no ano de 1983 e dirigido por Nicholas Meyer, (portanto, já no rumo final da União Soviética) em que um ataque nuclear ocorre entre as duas superpotências, independentemente da propaganda anti soviética norte-americana (por sinal muito comum naquele período), o filme mostra como seria a destruição do mundo por bombas atômicas, isso me incomodou por muito tempo, e até hoje vejo esta obra com certo grau de assombro.
Não há como deixar de citar um dos meus diretores prediletos, Stanley Kubrick e o primordial “Dr. Fantástico” - “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (algo como: “Dr. Strangelove . Como Aprendi a Parar de Amar a Bomba”. Baseado no romance Red Alert de Peter Bryant, esta genial (pra variar) obra “Kubrickiana” trata a possibilidade de uma hecatombe nuclear de maneira satírica e com humor nada habitual para o período (ainda mais para os brios dos republicanos yankes), lembrando que o filme foi feito em parceria entre EUA/Inglaterra.
Aqui cabe uma nota sobre o que sempre pensei a respeito da cinematografia “Kubrickiana”: percebam a capacidade genial de Stanley Kubrick em tirar do papel e passar para o cinema obras literárias...
Cássio Marcelo de Oliveira Alves.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Sessão de 27/3.
O Cineclube Canelão Mais Educação estreou timidamente, porém, os(as) alunos(as) puderam ter uma singela (mas não menos emocionante) ideia de como a produção do cinema de curta metragem no Brasil possui uma história relevante. O fato curioso é que a turma participante teve a oportunidade de assistir obras que estão intimamente relacionadas a vivência rural (os(as) estudantes vivem na área rural de Itaperuçu), pois os curtas exibidos, mesmo sendo de diferentes épocas, de uma forma ou de outra retratam o meio camponês. Os filmes “Calango Lengo-Morte e Vida Sem Ver Água”, “Tem Boi no Trilho” e “A Velha a Fiar” são nítidos exemplos da qualidade da produção de curtas metragens no país.
Prof. Cássio Marcelo de Oliveira Alves.
Prof. Cássio Marcelo de Oliveira Alves.
Sessão de 3/4 (Cine Canelão Mais Educação).
Os filmes do dia
Os filmes a serem exibidos na próxima sessão do Cine Canelão - Mais Educação que ocorrerá na próxima quinta feira 3 de Abril, contemplará mais uma sessão de curtas metragens apaixonantes. Vamos assistir “O Homem que Bota Ovo”, “Na Pista do Apito” e “Malasartes Vai à Feira”.
Sinopse dos curtas metragens
O Homem Que Bota Ovo:
(MG, 2006, FIC, 13min. Direção: Rafael Conde )
“O sapateiro Bonifácio e sua mulher, Suely, moram em uma cidadezinha do interior mineiro. Bonifácio adora a esposa e confia nela totalmente. Um dia, porém, ele encontra um amigo que lhe assegura que mulheres não conseguem guardar segredos. Bonifácio acha isso um desaforo, mas acaba aceitando a sugestão do amigo: contar um segredo para a esposa e esperar para ver…
Uma obra que retrata a confiança sobre um segredo contado que não deve ser espalhado”.
Na Pista do Apito (Amolador)
(SP, 2008. Ficção. 13min. Direção: Daniel Michalany
“Felipe, um menino de 9 anos, vive um dia de aventuras na grande cidade em busca de um amolador ambulante para afiar a tesoura de estimação de sua mãe”.
Malasartes Vai à Feira
(RJ, 2004, FIC, 12min. Dir. Eduardo Goldstein)
“Numa feira no interior de Minas, o lendário Pedro Malasartes tenta encher a barriga, nem que para isso precise cozinhar uma bela sopa de pedra”.
Cássio Marcelo de Oliveira Alves.
Os filmes a serem exibidos na próxima sessão do Cine Canelão - Mais Educação que ocorrerá na próxima quinta feira 3 de Abril, contemplará mais uma sessão de curtas metragens apaixonantes. Vamos assistir “O Homem que Bota Ovo”, “Na Pista do Apito” e “Malasartes Vai à Feira”.
Sinopse dos curtas metragens
O Homem Que Bota Ovo:
(MG, 2006, FIC, 13min. Direção: Rafael Conde )
“O sapateiro Bonifácio e sua mulher, Suely, moram em uma cidadezinha do interior mineiro. Bonifácio adora a esposa e confia nela totalmente. Um dia, porém, ele encontra um amigo que lhe assegura que mulheres não conseguem guardar segredos. Bonifácio acha isso um desaforo, mas acaba aceitando a sugestão do amigo: contar um segredo para a esposa e esperar para ver…
Uma obra que retrata a confiança sobre um segredo contado que não deve ser espalhado”.
Na Pista do Apito (Amolador)
(SP, 2008. Ficção. 13min. Direção: Daniel Michalany
“Felipe, um menino de 9 anos, vive um dia de aventuras na grande cidade em busca de um amolador ambulante para afiar a tesoura de estimação de sua mãe”.
Malasartes Vai à Feira
(RJ, 2004, FIC, 12min. Dir. Eduardo Goldstein)
“Numa feira no interior de Minas, o lendário Pedro Malasartes tenta encher a barriga, nem que para isso precise cozinhar uma bela sopa de pedra”.
Cássio Marcelo de Oliveira Alves.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Cineclube do Canelão
O Cineclube do Canelão, através do "Mais Educação" se trata de um Projeto voltado para o setor de audiovisual que possui a intenção de, no decorrer de 2014, realizar no município de Itaperuçu, na localidade do Canelão (área rural) a oportunidade de exibição de filmes voltados ao cinema nacional e de outros países, abrangendo um estilo de cinema que saia do padrão meramente comercial da indústria cinematográfica hollywoodiana a que estamos tão habituados a assistir todos os dias nos canais de TV aberta. Propiciando o encontro do público com os mais variados filmes da produção cinematográfica brasileira e mundial, visando o estabelecimento contínuo de um circuito próprio de exibição no colégio e assim que for oportuno, (se possível) organizar uma extensão do projeto para as localidades vizinhas, divulgando com isso o nome dos apoiadores e realizadores do Projeto, entre os quais podem se destacar o Governo Federal / Ministério da Cultura, Secretaria de Educação e Colégio do Campo Nª Senhora das Graças, através das políticas de fomento do audiovisual.
Precedendo cada sessão, o filme pré-selecionado da tarde, contará com breves comentários do debatedor do Projeto (será explicado: sinopse, ficha técnica, aspectos da História do Cinema, e temas relacionados ao filme) preparando o público presente para o que vão assistir, despertando e instigando a curiosidade, sem elucidar e interferir na compreensão da atração a ser vista pelos espectadores(as). Ao término da projeção, o comentarista pretende, estimulando os(as) presentes, desenvolver o hábito do livre debate entre os(as) participantes, criando nos cidadãos, -alunos(as)- o interesse por este tipo de filmografia, filmes que despertem a curiosidade e atenção da plateia.No transcorrer do projeto, se pretende exibir, os mais variados gêneros da História do cinema brasileiro e mundial, tais como: Épico, Drama, Comédia, Aventura, Faroeste, Ficção Científica, Animação, Suspense, Terror, Terrir, Documentários, entre outros, nos formatos de longa, média e curtas metragens, realizando mostras temáticas (cinema e futebol, cangaço, urbanidade, questão indígena, ditadura militar, etc) bem como as principais correntes cinematográficas existentes, respeitando a classificação indicativa que será previamente anunciada no processo de divulgação das sessões.
OBJETIVOS
- proporcionar novas formas e opções de lazer na cidade, um lazer cultural;
- estimular o interesse da comunidade no que se refere à Sétima Arte;
- mostrar o audiovisual como ferramenta de compreensão da realidade;
- aproximar a população do Cinema como forma de expressão popular;
- divulgar os nomes das partes envolvidas como fomentadores de práticas culturais.
Filmes do dia.
A sessão de estreia do cine Clube do Canelão será com três curtas metragens excepcionais, os participantes do projeto Mais Educação vão assistir Tem Boi no Trilho, A Velha a Fiar e Calango Lengo, Morte e Vida Sem Ver Água.
Esta primeira sessão cineclubista vai mostrar a variedade do cinema brasileiro no formato de curta metragem em diversas épocas e estilos fílmicos.
Calango Lengo, Morte e vida sem Ver Água.
Calango Lengo, nordestino, tem que cumprir seu destino, sem ter o que pôr no prato. Na seca não há outra sorte: viver fugindo da morte, como foge o rato do gato.
Direção: Fernando Miller
Estado: SP
Formato: 35mm
Categoria: animação
Duração: 10′ min.
Ano: 2008
Tem Boi no Trilho
Um bezerro abandona a boiada, atraído pelo trem que passa pelo sertão em seca. O Vaqueiro, ao perseguir o boizinho, acaba levando-o de encontro à locomotiva. O que parecia ser um trágico desastre, porém, cede lugar a um final inesperado.
Um filme de animação sensível, para todos os públicos.
Duração: 6 min e 0 seg.
Ano: 1986.Gênero: Animação. Direção: Marcos Magalhães.
A Velha a Fiar
Velha a Fiar é um curta-metragem brasileiro de 1964 dirigido por Humberto Mauro, com a música popular homônima cantada pelo Trio Irakytan. Uma joia do cinema brasileiro, esse curta-metragem chegou a ser considerado pelos críticos como um dos primeiros videoclipes do mundo. Humberto Mauro, ao não conseguir colocar uma mulher para fazer o papel da velha, colocou seu amigo Mateus Colaço para fazê-lo.
A Velha Fiar, é um grande exemplo de como a montagem (hoje, edição) é importante no cinema.
Gênero: Ficção. Duração: 6 min e 0 seg.
Ano: 1964
Precedendo cada sessão, o filme pré-selecionado da tarde, contará com breves comentários do debatedor do Projeto (será explicado: sinopse, ficha técnica, aspectos da História do Cinema, e temas relacionados ao filme) preparando o público presente para o que vão assistir, despertando e instigando a curiosidade, sem elucidar e interferir na compreensão da atração a ser vista pelos espectadores(as). Ao término da projeção, o comentarista pretende, estimulando os(as) presentes, desenvolver o hábito do livre debate entre os(as) participantes, criando nos cidadãos, -alunos(as)- o interesse por este tipo de filmografia, filmes que despertem a curiosidade e atenção da plateia.No transcorrer do projeto, se pretende exibir, os mais variados gêneros da História do cinema brasileiro e mundial, tais como: Épico, Drama, Comédia, Aventura, Faroeste, Ficção Científica, Animação, Suspense, Terror, Terrir, Documentários, entre outros, nos formatos de longa, média e curtas metragens, realizando mostras temáticas (cinema e futebol, cangaço, urbanidade, questão indígena, ditadura militar, etc) bem como as principais correntes cinematográficas existentes, respeitando a classificação indicativa que será previamente anunciada no processo de divulgação das sessões.
OBJETIVOS
- proporcionar novas formas e opções de lazer na cidade, um lazer cultural;
- estimular o interesse da comunidade no que se refere à Sétima Arte;
- mostrar o audiovisual como ferramenta de compreensão da realidade;
- aproximar a população do Cinema como forma de expressão popular;
- divulgar os nomes das partes envolvidas como fomentadores de práticas culturais.
Filmes do dia.
A sessão de estreia do cine Clube do Canelão será com três curtas metragens excepcionais, os participantes do projeto Mais Educação vão assistir Tem Boi no Trilho, A Velha a Fiar e Calango Lengo, Morte e Vida Sem Ver Água.
Esta primeira sessão cineclubista vai mostrar a variedade do cinema brasileiro no formato de curta metragem em diversas épocas e estilos fílmicos.
Calango Lengo, Morte e vida sem Ver Água.
Calango Lengo, nordestino, tem que cumprir seu destino, sem ter o que pôr no prato. Na seca não há outra sorte: viver fugindo da morte, como foge o rato do gato.
Direção: Fernando Miller
Estado: SP
Formato: 35mm
Categoria: animação
Duração: 10′ min.
Ano: 2008
Tem Boi no Trilho
Um bezerro abandona a boiada, atraído pelo trem que passa pelo sertão em seca. O Vaqueiro, ao perseguir o boizinho, acaba levando-o de encontro à locomotiva. O que parecia ser um trágico desastre, porém, cede lugar a um final inesperado.
Um filme de animação sensível, para todos os públicos.
Duração: 6 min e 0 seg.
Ano: 1986.Gênero: Animação. Direção: Marcos Magalhães.
A Velha a Fiar
Velha a Fiar é um curta-metragem brasileiro de 1964 dirigido por Humberto Mauro, com a música popular homônima cantada pelo Trio Irakytan. Uma joia do cinema brasileiro, esse curta-metragem chegou a ser considerado pelos críticos como um dos primeiros videoclipes do mundo. Humberto Mauro, ao não conseguir colocar uma mulher para fazer o papel da velha, colocou seu amigo Mateus Colaço para fazê-lo.
A Velha Fiar, é um grande exemplo de como a montagem (hoje, edição) é importante no cinema.
Gênero: Ficção. Duração: 6 min e 0 seg.
Ano: 1964
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
O Banco Clandestino de Ossos e a Antropofagia no Cinema (três filmes).
Recentemente, a polícia do Paraná atuando através do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa), fechou um banco de ossos que atuava de maneira clandestina na cidade de Londrina-PR, e pelas investigações, a macabra apreensão era utilizada em enxertos odontológicos e ortopédicos.
E o que isso tem haver com a sétima arte? Tal pergunta me pipocou à cabeça quando associei a notícia acima a três obras fílmicas que, de uma maneira ou outra, tratam do ser humano comendo, deglutindo, devorando, saboreando, outro da sua espécie, ou seja, rituais de canibalismo. Daí lembrei da célebre fala de Zé do Caixão no longa (se não me engano) “A Meia Noite Levarei Sua Alma” de 1964 em que o personagem brada: “Hoje eu como carne nem que seja de gente”, de tão indignado que estava com a proibição de se comer carne na sexta-feira santa, ele profere, tomado por fúria, esta herética e blasfêmica máxima.
Outra obra que me veio à mente foi “Os Sobreviventes dos Andes” (Dir. René Cardona Jr) de 1976, filme baseado no livro do sobrevivente Fernando Parrado que narra a história de um fato verídico ocorrido na Cordilheira dos Andes em outubro de 1972, quando o avião que transportava a equipe de rúgbi uruguaia, rumando de Montevidéu para Santiago, e devido ao mau tempo se choca contra uma montanha, ficando meses perdido no meio do imenso deserto de gelo andino, enfrentando temperaturas muito abaixo de zero. Resultado: acabando o que restava de comida da aeronave e as tiras de couro de peças das bagagens que serviam de alimento, os sobreviventes se viram obrigados a fatiar ''filés'' dos colegas e “fritá-los'' ao gelo e sol para sobreviverem à absoluta escassez de comida, e parte sobreviveu durante longos 72 dias até serem resgatados, relatando, posteriormente, todos os fatos ocorridos a incrédulos espectadores de todo mundo, obrigando a surgir uma ampla discussão sobre os tabus humanos.
Para finalizar, fazendo uma ode ao tema, não poderia de deixar de citar o apaixonante cinema do mestre Nelson Pereira dos Santos com o delicioso título da película de 1971 “Como Era Gostoso o Meu Francês”, inspirado no relato de Hans Staden, o filme conta a saga de um aventureiro francês que acaba ficando em território Tupinambá após um embate entre portugueses e franceses em 1594 , sendo confundido com um português (inimigos dos Tupinambás-que por sinal eram aliados dos franceses), acaba sendo devorado em um ritual antropofágico.
Cássio Marcelo de O.Alves
Outra obra que me veio à mente foi “Os Sobreviventes dos Andes” (Dir. René Cardona Jr) de 1976, filme baseado no livro do sobrevivente Fernando Parrado que narra a história de um fato verídico ocorrido na Cordilheira dos Andes em outubro de 1972, quando o avião que transportava a equipe de rúgbi uruguaia, rumando de Montevidéu para Santiago, e devido ao mau tempo se choca contra uma montanha, ficando meses perdido no meio do imenso deserto de gelo andino, enfrentando temperaturas muito abaixo de zero. Resultado: acabando o que restava de comida da aeronave e as tiras de couro de peças das bagagens que serviam de alimento, os sobreviventes se viram obrigados a fatiar ''filés'' dos colegas e “fritá-los'' ao gelo e sol para sobreviverem à absoluta escassez de comida, e parte sobreviveu durante longos 72 dias até serem resgatados, relatando, posteriormente, todos os fatos ocorridos a incrédulos espectadores de todo mundo, obrigando a surgir uma ampla discussão sobre os tabus humanos.
Para finalizar, fazendo uma ode ao tema, não poderia de deixar de citar o apaixonante cinema do mestre Nelson Pereira dos Santos com o delicioso título da película de 1971 “Como Era Gostoso o Meu Francês”, inspirado no relato de Hans Staden, o filme conta a saga de um aventureiro francês que acaba ficando em território Tupinambá após um embate entre portugueses e franceses em 1594 , sendo confundido com um português (inimigos dos Tupinambás-que por sinal eram aliados dos franceses), acaba sendo devorado em um ritual antropofágico.
Cássio Marcelo de O.Alves
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O Olho no Cinema.
Em uma noite insone, me vêm à mente (ou à retina) algumas cenas de cinema em que o olho aparece de forma impactante. Entre muitas outras referências ao globo ocular humano-olhos de animais também surgem em inúmeras produções cinematográficas de variadas épocas-porém, preferi delimitar o assunto, comentando brevemente três cenas clássicas relacionadas ao tema: O cine-olho de Vertov, o olho e a Navalha de Buñuel/Dalí e o olho e a bomba de Kurosawa. Não sei se perceberam, mas a logo que pensei para o Cine Navegantes possui um olho dentro da bandeira do Brasil, minha intenção foi fazer uma homenagem ao conceito de Kino-Glaz (Cine-Olho) de Vertov, agregando um símbolo cinematográfico soviético ao cinema nacional, daí a sobreposição do olho na bandeira brasileira, como Dziga Vertov havia feito com o olho e a lente da câmera... Retornando aos olhos no cinema, vamos iniciar por Dziga Vertov e a Câmera Olho: Nascido Denis Arkadievitch Kaufman (em 2 de janeiro de 1896), o pseudônimo Dziga faz referência ao barulhinho do giro da manivela de uma câmera daqueles tempos, e Vertov é derivado do verbo “girar”, “rodar”. Vertov foi reconhecido por ter sido o pioneiro do Kinopravda, ou seja, o cinema-verdade, nos tempos áureos iniciais da União Soviética, quando as manifestações artísticas em geral ainda possuíam total liberdade criativa. Dziga Vertov, sem dúvida revolucionou (e foi um dos precursores) do cinema documentário como gênero e linguagem. Realizou em 1929 o doc. “O Homem da Câmera” ou “Um Homem com uma Câmera”.
Já o segundo olho (sendo retalhado), talvez seja uma das imagens (minha opinião) mais chocantes e antológicas da Sétima Arte, se trata de uma das cenas iniciais do curta metragem “O Cão Andaluz” (1928). Obra seminal do surrealismo no cinema, realizado conjuntamente entre Luis Buñuel e Salvador Dalí, o filme de 16min. e P&B (o preto e branco enriquece ainda mais a película) mostra, em uma narrativa descontínua, mas surpreendente, uma reunião incrível de cenas oníricas, por vezes nos remetendo a um pesadelo com críticas contundentes às sociedades em geral.

E para finalizar, o penúltimo filme do mestre Akira Kurosawa (já praticamente cego e contando com o auxílio de fãs como Spielberg e George Lucas para bancar sua obra) “Rapsódia em Agosto” (1991) retrata mais uma vez a presença do olho humano no cinema de maneira surpreendente: ao explodir a bomba atômica, um gigantesco olho aparece, e pisca, sobreposto ao cogumelo nuclear. Bem, depois destas considerações feitas, espero não ter mais insônia, pelo menos no que tange aos incríveis olhos do cinema. (Cássio Marcelo de Oliveira Alves).
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Tio de La Mina
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